quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Estudos analisam as queimadas e seu impacto no clima e na saúde

Por Graça Portela (Icict/Fiocruz)
O ano de 2004 ficou marcado pelos 270.295 focos de incêndio em todo o país – o ápice do número de queimadas no século 21. Na época, apenas no bioma Amazônia, que ocupa cerca de 40% do território nacional e onde estão os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima, e também partes do Maranhão, Tocantins e Mato Grosso, foram 145.251 focos.
Em 2017, foram 275.120 focos de incêndio em todo o território nacional, conforme dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), um aumento de 1,78%. O bioma Amazônia, no entanto, teve uma pequena redução, com 132.296 focos. Contudo, não há muito o que comemorar – segundo reportagem do jornal O Globo, “o fogo aumentou em áreas de floresta natural, onde não chegava antes”, afirma Alberto Setzer, responsável pelo monitoramento de queimadas do Inpe. Ao lado, os dados das queimadas no Brasil e no bioma Amazônia, fornecidos pelo Inpe.
Em Rondônia, onde está situado o sítio sentinela do Observatório Nacional de Clima e Saúde, os focos de fogo apresentam também um número elevado. No gráfico abaixo, é possível verificar o crescimento desses focos no período entre 2012 e 2017:
Porto Velho
O sítio sentinela está localizado na capital rondonense, em Porto Velho, uma das áreas mais afetadas por conta das queimadas na região amazônica. Ele é coordenado pela pesquisadora associada do Observatório, Sandra Hacon, da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) e o pesquisador Christovam Barcellos, do Instituto de Comunicação e Informalão Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz).
Segundo a pesquisadora Hacon, desde o Programa de Integração Nacional, na década de 1970, o desmatamento na região amazônica começou a ocorrer com maior intensidade, com o processo de colonização e o incentivo de ocupação do território pelo governo federal. “Esse intenso processo de desmatamento dará lugar, mais tarde, a indústria madereira e a pecuária na região, que destrói de forma intensa e extensa o solo da Amazônia, com o desmatamento, que leva às queimadas”, explica. Mas, como as queimadas podem prejudicar à saúde da população da região? Hacon afirma que “há a emissão de material particulado, microscópico, que em sua composição tem vários compostos e elementos. Esse material particulado, principalmente, é que vai prejudicar a saúde da população da Amazônia”.
Ela chama a atenção sobre a alta taxa de desmatamento de Rondônia – cerca de 70% de seu território já havia sido desmatado para plantações e pastagens. Com isso, “aumentaram as taxas de doenças respiratórias, principalmente nos grupos vulneráveis – crianças e idosos – e pessoas com doenças pregressas, relacionadas tanto quanto às doenças respiratórias, quanto às doenças cardiovasculares”.
Em um estudo de 2013, intitulado Distribuição espaço-temporal das queimadas e internações por doenças  respiratórias em menores de cinco anos de idade em Rondônia, 2001 a 2010, das pesquisadoras Poliany Rodrigues (Ensp/Fiocruz), Eliane Ignotti  (Unemat e UFMT, ambas do Mato Grosso) e Sandra Hacon, chama a atenção de que “as áreas com maior número de focos de queimadas diferiram daquelas com as taxas mais elevadas de internações por doenças respiratórias. Isso pode demonstrar a importância do transporte deste material particulado em longas distâncias na Amazônia.
Supõe-se que a exposição aos poluentes provenientes das queimadas não necessariamente coincidiu com o local de ocorrência do foco de queimada, razão pela qual os focos de calor devem ser utilizados como indicadores indiretos de exposição”.  Além disso, as pesquisadoras recomendam que haja um “monitoramento do material particulado proveniente das queimadas na microrregião de Porto Velho, apontada neste estudo como área crítica por apresentar a maior concentração de focos de queimadas da região. Também é relevante acompanhar os indicadores de saúde sobre os impactos à saúde humana provocados pelos poluentes gerados nas queimadas, com a implantação de áreas sentinelas pelos programas de vigilância à saúde na Amazônia”.
Para se ter uma ideia do problema, as queimadas acorrem mais intensamente entre os meses de julho e outubro, sendo que em setembro, há o ápice. Imagens do satélite Modis Terra Acqua, da Nasa, entre os dias 9 e 26 de setembro de 2017, mostram a situação da região:
O site do Icict/Fiocruz levantou alguns dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), do Datasus, sobre doenças respiratórias na região de 2012 até novembro de 2017. Como no estudo das pesquisadoras, chama a atenção o número de crianças de até quatro anos, com internações derivadas de doenças respiratórias:
Respiração comprometida
Outro estudo, este de 2015, orientado por Hacon, Poluição atmosférica e seus efeitos na saúde infantil: um estudo sobre biomarcadores de estresse oxidativo em crianças e adolescentes da Amazônia Brasileira, da doutora pela Ensp/Fiocruz Beatriz Fátima Alves de Oliveira, reafirma a preocupação dos pesquisadores com os efeitos das queimadas. Seu estudo, que avaliou crianças e adolescentes de 5 a 17 anos, residentes na Amazônia Ocidental Brasileira, em especial a cidade de Porto Velho, teve como um de seus resultados o seguinte: “que a poluição do ar está associada com diversos mecanismos, tais como inflamação das vias aéreas, inflamação sistêmica e neuroinflamação, disfunção endotelial, coagulação, aterosclerose, alteração do sistema nervoso autônomo, danos de DNA e desbalanço redox”.
No trecho do vídeo Queimadas na Amazônia – uma ameaça ao ambiente e a saúde, do projeto homônimo da Ensp/Fiocruz, CNPq, Rede Clima, INCT para Mudanças Climáticas e Inova / Ensp (além de outros parceiros) (de 2012), é possível ter uma ideia dos efeitos da queimada na população, neste caso, de Rio Branco, no Acre:


Queimadas x câncer
Foram justamente os estudos do Sítio Sentinela de Porto Velho, na região, coordenados por Sandra Hacon, que ajudaram pesquisadores da USP, UFRN, Fiocruz e UFRJ, além da UFRO, que foi fundamental na logística do estudo, a demonstrarem os impactos das queimadas na floresta Amazônica e que podem ser lidos no artigo “Biomass burning in the Amazon region causes DNA damage and cell death in human lung cells”, que tem entre seus co-autores, o pesquisador do Instituto de Física da USP, Paulo Artaxo, considerado uma das maiores autoridades em análise do clima.
No estudo, os pesquisadores dão evidências de que “as partículas das queimadas ao entrarem nos pulmões aumentam a inflamação, o estresse oxidativo e causam danos genéticos nas células de pulmão humano. O dano no DNA pode ser tão grave que a célula perde a capacidade de sobreviver e morre. Ou esta célula perde o controle celular e começa a se reproduzir desordenadamente, evoluindo para câncer de pulmão”, conforme relatado pela principal autora do estudo, a pesquisadora da USP, Nilmara de Oliveira Alves. Os pesquisadores coletaram amostras do material emitido na atmosfera pelas queimadas na região próxima a Porto Velho, uma das áreas mais atingidas pelos incêndios na Amazônia.
O artigo traz evidências científicas sobre a associação entre queimadas e o risco de câncer. Considerando que as crianças o grupo mais vulnerável exposto às fumaças das queimadas, como explica a pesquisadora Nilmara Alves: “a população que está sendo exposta a esta fumaça apresenta um maior risco para o desenvolvimento do câncer de pulmão e o agravamento de doenças pré-existentes como asma, bronquite e etc.”, alerta. Para  ela, “sem dúvida, as crianças estão entre os grupos mais vulneráveis. Em concordância, estudos recentes da OMS – a Organização Mundial da Saúde – comprovaram que 1,7 milhão de crianças, com menos de 5 anos, morrem no mundo anualmente devido a poluição ambiental e os poluentes atmosféricos são um dos grandes responsáveis”.
A pesquisadora da USP, que atualmente trabalha na França em colaboração com a Agência Internacional de Pesquisa ao Câncer, com ênfase nos estudos dos impactos ambientais, reitera o risco das queimadas para a população: “O que explica estes efeitos negativos é que nesta fumaça existem partículas muito finas que são capazes de chegar ao sistema respiratório, atingir os alvéolos pulmonares e ter contato com a corrente sanguínea, sendo prejudicial para a saúde. Além disso, muitos compostos carcinogênicos estão presentes nestas emissões e as pessoas, involuntariamente, inalam estes compostos tóxicos, contribuindo para os danos nas células pulmonares”.
Os efeitos na saúde da população na maioria das vezes não são imediatos, como afirma a pesquisadora Sandra Hacon. Segundo ela, “dependerá da carga de emissão, qual é a concentração do material particulado na atmosfera. Essas pessoas que aparecem doentes, que apresentam o impacto das queimadas e da poluição atmosférica, são pessoas que já tinham problemas de saúde, mais idosas ou são crianças”, explica. Para Hacon, Aqueles que já têm problemas respiratórios e não usam os medicamentos, apresentarão  os efeitos mais rapidamente. Se eles têm problemas respiratórios e tomam medicação, possivelmente, eles vão apresentar mais tarde e, às vezes, nem apresentar”, afirma.
No vídeo abaixo, Paulo Artaxo fala sobre o trabalho que realiza e mostra o impacto das queimadas no meio ambiente e na saúde das pessoas. Suas palavras são reforçadas pelo atual diretor da Ensp/Fiocruz, Hermano de Castro, pneumologista:


Mudança necessária
A poluição não escolhe classe social, alerta Hacon, mas ela ressalta que populações mais vulneráveis acabam sendo as maiores vítimas da poluição ambiental: “porque se você tem uma infecção respiratória, uma doença infecciosa, como consequência de uma exposição à poluição atmosférica, esse quadro vai se agravar à medida que, não há ventilação nessa casa, que várias pessoas dormem num mesmo cômodo, que essa pessoa não tenha acesso ao serviço de saúde – não só porque mora longe, mas muitas vezes, por não ter recursos para chegar ao posto de saúde na capital, onde teria mais recursos para ela – e por conta das desigualdades sociais, que são – a cada dia – maiores”.
Christovam Barcellos concorda. Para ele, os dados e as análises sobre o que está ocorrendo em Porto Velho, só ressaltam a importância de se estudar o clima e sua relação com a saúde: “as pesquisas têm levantado diversas evidências de que o clima está mudando devido à ação humana na Terra. Alguns dos efeitos estão sendo já sentidos na área de saúde e existe uma mobilização crescente em torno deste tema. A mídia e a sociedade civil estão cada vez mais atentos a este problema, que é novo e ameaçador”. Mas, população e pesquisadores  já estão alertas e começam a se mobilizar:


Ao finalizarmos a matéria, recebemos a informação que – segundo notícias publicadas na grande imprensa – na versão de um rascunho, enviado para comentários de revisores do relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC/ONU), que aborda a estabilização do aquecimento global a 1,5ºC, “será preciso implementar um nível de transformação sem precedentes na área produtiva (industrial e agrícola), caso a humanidade se proponha a evitar as transformações radicais causadas pelas mudanças climáticas”. Fato que só reforça a necessidade de se ter instrumentos como o Observatório Nacional de Clma e Saúde, que permita compartilhar com a população, os gestores e outros pesquisadores informações que possam mudar essa realidade.
Esta é a segunda matéria da série Clima e Saúde, sobre as mudanças climáticas e seus efeitos na saúde do brasileiro, a partir dos estudos realizados pelo Observatório Nacional de Clima e Saúde, do Icict/Fiocruz. A próxima matéria abordará o sítio sentinela Transfronteiriço, entre a Guiana Francesa e o Brasil, que pesquisa as ocorrências de malária na região e seus impactos na população local da fronteira entre os dois países.
Leia mais sobre a série Clima e Saúde no site do Icict/Fiocruz.


in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 18/01/2018

EcoDebate - Edição 2.906 de 18 / janeiro / 2018

Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura

Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]


18/01/2018    
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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Febre amarela: dose fracionada da vacina imuniza por oito anos diz pesquisa do Bio-Manguinhos/Fiocruz

Por Pamela Lang (Agência Fiocruz de Notícias)
A estratégia anunciada pelo Ministério da Saúde (MS), na última terça-feira (9/1), de fracionar a vacina de febre amarela para três estados brasileiros teve como base um estudo da Fiocruz, realizado pelo seu Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), que comprova que 1/5 da dose da vacina gera uma proteção equivalente à da dose padrão por oito anos.
A pesquisa com doses fracionadas da vacina de febre amarela teve início em 2009, com a aplicação de diferentes dosagens em 900 voluntários de um estudo clínico (foto: Bio-Manguinhos/Fiocruz)
A pesquisa com doses fracionadas da vacina de febre amarela teve início em 2009, com a aplicação de diferentes dosagens em 900 voluntários de um estudo clínico (foto: Bio-Manguinhos/Fiocruz)

Durante o anúncio do ministro da Saúde, Ricardo Barros, a presidente da Fundação, Nísia Trindade Lima, reforçou a importância estratégica da Fundação nas áreas de produção, pesquisa e vigilância. “A Fiocruz tem o papel não apenas de produzir as vacinas de febre amarela, mas também de produzir o conhecimento científico necessário para tomadas de decisão e atuar em estratégias de vigilância, que são fundamentais para o debate de novos estudos”, explicou.
A pesquisa com doses fracionadas da vacina de febre amarela teve início em 2009, com a aplicação de diferentes dosagens em 900 voluntários de um estudo clínico. A iniciativa teve financiamento da organização britânica Wellcome Trust e apoio da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Em 2017, os mesmos voluntários foram chamados para participar de uma segunda etapa da pesquisa que avaliou a soropositividade, ou seja, a imunidade que eles ainda tinham após o período de oito anos. Da amostra inicial, foram analisados dados de 319 participantes.
Os resultados apontaram que mesmo com a aplicação da dose fracionada em 1/5 da dose padrão, a vacina de febre amarela de Bio-Manguinhos/Fiocruz ainda sustentava a proteção similar à inicial. A dose fracionada em 1/5 não é, portanto, mais fraca que a dose padrão. Isso acontece porque, apesar de fracionada, a dose ainda induz o organismo a produzir anticorpos em níveis necessários à proteção contra a doença.
“Verificamos que a potência da vacina excede o mínimo suficiente para induzir a produção de anticorpos no organismo necessários à imunização. Com uma potência mais baixa, como uma fração de 1/5, por exemplo, conseguimos obter o mesmo efeito”, explica um dos autores do estudo e pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), Luíz Antônio Camacho.
Outro ponto importante para entender a segurança do uso da dose fracionada está relacionado à concentração viral da dose padrão. A OMS exige uma concentração mínima de 1 mil UI (unidades internacionais) para que a vacina seja considerada eficaz. A vacina padrão de Bio-Manguinhos tem uma concentração de cerca de 27 mil UI. Ou seja, quando se fala em fracionar a potência da vacina em 1/5, trata-se de uma dose com concentração viral ainda cinco vezes maior do que a mínima exigida pela OMS.
“O produtor precisa fazer uma vacina com concentração maior do que a exigida pela OMS, porque distribuímos essa vacina a lugares distantes, em que, muitas vezes, ela vai ser transportada em condições adversas, quando, por exemplo, ela tem que ser transportada de barco para o interior da Amazônia. Temos que garantir que, mesmo com algum nível de perda, ela chegará ao final de sua validade, de três anos, com uma concentração viral acima da exigida para imunização. O lote a ser fracionado é recente e será distribuído em centros urbanos. Há dados mostrando que a vacina tem boa estabilidade quando estocada, transportada e conservada nas condições adequadas da maioria das unidades de saúde. Nosso estudo ainda prevê uma margem maior. Verificamos que fracionando a dose em até 1/9, as pessoas ainda estão imunizadas após oito anos. Ou seja, quando tenho 1/5 da dose, estamos bem acima do nível necessário para uma imunização segura, segundo os parâmetros da OMS”, explica Camacho.
A primeira etapa desse estudo, em 2009, já foi capaz de dar suporte à estratégia de uso de doses fracionadas, adotada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), para o controle da epidemia na República Democrática do Congo. Na época, as vacinas utilizadas para esse fracionamento também foram produzidas pela Fiocruz. Apesar de haver quatro laboratórios no mundo certificados para a produção de vacinas de febre amarela, vale destacar que a OMS autorizou o fracionamento apenas de vacinas fabricadas e distribuídas por Bio-Manguinhos/Fiocruz, o maior fornecedor do mundo.
Segundo a presidente da Fiocruz, os estudos não param. “O que demonstramos até agora é que nesse período de tempo é absolutamente seguro fracionar a dose da vacina. Quando se fala em oito anos, não quer dizer que a vacina só dura oito anos. Quer dizer que está comprovado que, após oito anos, esse grupo manteve a soropositividade, ou seja, a proteção contra doença. Mas os estudos seguirão e poderemos continuar avaliando o tempo de duração da imunidade dessas pessoas”, afirma Nísia Trindade Lima.
Vacinação
Gestantes, crianças de nove meses a menores de dois anos e pessoas com condições clínicas especiais não são indicados para receber a dose fracionada, por falta de estudos específicos, e receberão, assim, a dose padrão.
“A dose fracionada é para uso emergencial, quando precisamos vacinar um grande número de pessoas num curto espaço de tempo. A vacina é a mesma que vem sendo usada na rotina e em campanhas de vacinação. Em vez de usar 0,5 ml, usa-se 0,1ml. No futuro, com o estudo de dose resposta em crianças menores de dois anos, se observarmos os mesmos resultados que observamos em adultos, poderemos mudar, junto à Anvisa, a potência da vacina. Mas enquanto não fazemos esse estudo, não podemos alterar a formulação da vacina. E ainda vamos levar alguns anos para mostrar que os resultados são os mesmos para todas as faixas etárias”, explica o assessor científico de Bio-Manguinhos/Fiocruz, Akira Homma.
Em caso de viagens internacionais, o viajante também deve tomar a dose padrão, e apresentar o comprovante de viagem no ato da vacinação.
A vacina, com dose padrão ou fracionada, é contraindicada para pacientes em tratamento de câncer, pessoas com imunossupressão e com reação alérgica grave à proteína do ovo.
A campanha do Ministério da Saúde terá duração de 15 dias e mobilizará a população do Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia. Em São Paulo, a vacinação será realizada em 52 municípios. A meta é vacinar 6,3 milhões de pessoas entre 3 e 24 de fevereiro. No Rio de Janeiro, a vacinação será realizada em 15 municípios, com meta de 10 milhões de pessoas vacinadas. Na Bahia, a vacinação será realizada em oito municípios, com meta de 3,3 milhões de imunizados. O período de vacinação dos dois últimos estados é entre 19 de fevereiro a 9 de março.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 17/01/2018


EcoDebate - Edição 2.905 de 17 / janeiro / 2018

Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura

Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]


17/01/2018    
Queridos leitores do Blog  "O Grito do Bicho"
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sheila moura

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Pesquisadores identificam como as mudanças climáticas alteram o crescimento das plantas

Martin-Luther-Universität Halle-Wittenberg*
O aquecimento global afeta mais do que apenas a biodiversidade vegetal – ele também altera a forma como as plantas crescem. Uma equipe de pesquisadores da Universidade Martin Luther Halle-Wittenberg (MLU) uniu forças com o Leibniz Institute for Plant Biochemistry (IPB) para descobrir quais processos moleculares estão envolvidos no crescimento da planta. Na edição atual da revista de renome internacional Current Biology , o grupo apresenta as últimas descobertas sobre o mecanismo que controla o crescimento em altas temperaturas. No futuro, isso poderia ajudar a criar plantas que se adaptem ao aquecimento global.
As plantas reagem muito mais sensivelmente às flutuações de temperatura do que os animais. Eles também não conseguem procurar locais mais quentes ou mais quentes. “Quando as temperaturas aumentam, as plantas crescem mais. Suas hastes se tornam mais altas e suas folhas se tornam mais estreitas e se afastam. No entanto, isso torna a planta mais instável em geral”, explica o professor Marcel Quint, cientista agrícola da MLU. Isso é notado, por exemplo, durante a colheita de grãos. As plantas instáveis dobram-se mais rapidamente na chuva e geralmente produzem menos biomassa. Existe também uma redução na proporção de substâncias-chave, como proteínas, que podem ser armazenadas na semente de grãos.
“Embora a correlação entre a temperatura e o crescimento da planta no nível macro seja relativamente bem compreendida, ainda há muitas questões abertas no nível molecular. Estamos apenas começando a entender como as plantas detectam as mudanças de temperatura e traduzem isso em reações específicas”, Quint continuou.
Estudos anteriores mostraram que a proteína PIF4 controla diretamente o crescimento da planta e que essa proteína também depende da temperatura. Quando está frio, a PIF4 é menos ativo – ou seja, a planta não cresce. Em temperaturas mais elevadas, a PIF4 ativa genes que promovem o crescimento e a planta cresce mais alto. “Até agora, não estava claro como a planta sabe quando ativar o PIF4 e quanto deve ser liberado. Houve grandes lacunas em nosso conhecimento sobre a via de sinalização exata do crescimento controlado por temperatura”
E é precisamente isso que o grupo de pesquisa em Halle descobriu. Eles investigaram o comportamento de crescimento das mudas da agulha de erva modelo (Arabidopsis thaliana). Normalmente, suas mudas formam hastes curtas a 20 graus Celsius (68 ° Fahrenheit). Essas hastes se tornam consideravelmente mais longas a 28 graus (82.4 ° F). No laboratório, os cientistas identificaram plantas com um defeito de gene que ainda só formou hastes curtas a 28 graus. Então eles procuraram por possíveis motivos dessa falta de crescimento. Eles descobriram um hormônio que ativa a PIF4 em altas temperaturas, produzindo assim a proteína. Esta reação não ocorreu nas plantas mutadas. “Descobrimos agora o papel deste hormônio especial na via de sinalização e descobrimos um mecanismo através do qual o processo de crescimento é positivamente regulado a altas temperaturas,
As descobertas do grupo de pesquisa da Halle podem ajudar a criar plantas no futuro que permanecem estáveis mesmo em altas temperaturas e são capazes de produzir rendimentos suficientes. Para conseguir isso, os resultados da pesquisa básica sobre plantas modelo devem ser transferidos para plantas cultivadas como cereais.

BZR1 Positivamente regula a expressão de PIF4 em temperaturas elevadas
Figura 4
BZR1 Positivamente regula a expressão de PIF4 em temperaturas elevadas
(A) análise de qRT-PCR dos níveis de expressão de PIF4 . As mudas foram cultivadas durante 7 dias a 20 ° C. As plantas de controle foram deixadas a 20 ° C e as plantas induzidas pelo calor foram deslocadas para 28 ° C para as luzes apagadas (ZT16) e colhidas 4 horas mais tarde em ZT20. AT1G13320 ( PP2AA3 ) serviu como o gene de referência. As barras de erro representam SEM, n = 3 repetições biológicas. Em (A) – (D), as mudas foram cultivadas sob fotoperíodos LD e foram tratadas como na Figura 3 D.
(B) Ensaios de protoplastos de células de mesofila Col-0 em que um PIF4pro: LUC foi co-transfectado com uma construção CFP (controle negativo) ou BZR1 .
(C) Estrutura do gene PIF4 simplificado com caixas G e E no promotor.
(D) BZR1 liga-se diretamente ao promotor de PIF4 . O ChIP de BZR1 usando as mudas 35S :: BZR1-GFP (cultivadas a 20 ° C constante ou deslocado para 28 ° C) mostra enriquecimento em caixas G e E no promotor PIF4 em mudas de 28 ° C. O AT1G13320 ( PP2AA3 ) foi utilizado como um controle negativo. As barras de erro mostram SEM de replicações técnicas. As mudas foram tratadas como descrito na Figura 3 D. O experimento foi repetido de forma independente com resultados semelhantes.
(E) Modelo simplificado que integra o mecanismo identificado neste estudo na compreensão atual da sinalização de termomorfogênese de disparo dependente de PIF4. Neste modelo, os BRs atuam a jusante de PIF4 e auxina para regular o crescimento de alongamento através de BZR1 em resposta a temperaturas ambiente elevadas. Em um loop de amplificação avançada de resposta, o BZR1 pode induzir a transcrição de PIF4 , possivelmente em complexo com outros PIFs (não mostrados aqui), para (1) ativar a ativação cooperativa eficiente de genes promotores do crescimento e (2) aumentar a PF4> Auxina > BR parte do percurso.

Referência:
Brassinosteroids Dominate Hormonal Regulation of Plant Thermomorphogenesis via BZR1
Carla Ibañez, Carolin Delker, Cristina Martinez, Katharina Bürstenbinder, Philipp Janitza, Rebecca Lippmann, Wenke Ludwig, Hequan Sun, Geo Velikkakam James, Maria Klecker, Alexandra Grossjohann, Korbinian Schneeberger, Salome Prat, Marcel Quint
Current Biology – DOI: http://dx.doi.org/10.1016/j.cub.2017.11.077

* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 16/01/2018